terça-feira, 30 de outubro de 2012

Entre Chronos e as Marcas Marinhas de Perse

   O poeta Saint-John Perse, batizado Alexis Leger, nasceu em uma ilha das Antilhas Francesas chamada Pointe-à-Pitre em 31 de maio de 1887 e produziu poemas marcados pelo hermetismo e pela inigualável produção de imagens poéticas. As inúmeras viagens proporcionadas pelo trabalho na diplomacia, marcaram sua obra poética, repleta de referências à navegação e a conhecimentos bastante específicos, como a botânica.

   Dentre suas principais obras no âmbito da poesia, figuram Eloges (Elogios), de 1911; Anabase (Anabasis), de 1924; Exil (Exílio), de 1944; Amers (Amargos), de 1957; Chronique (Crônica), de 1960; Oisseaux (Pássaros), de 1963 e Vents (Ventos), no ano de 1964. No ano de 1960, o poeta foi agraciado com o Prêmio Nobel de Literatura.

Amers: marcas marinhas, tradução em português de Bruno Palma

   Seus poemas possuem a constante presença de elementos da natureza, bem como aspectos que remetem ao tempo mítico, primordial. Essas características são muito evidentes no livro Chronique, por exemplo. Essa obra, assim como Amers, é totalmente constituída de poemas em prosa, que predominam na poética perseana. Em Amers, a presença de vocábulos exdrúxulos, oriundos de áreas do conhecimento, tais como a navegação e a botânica, aumenta seu hermetismo. Contudo, há grande criatividade na elaboração das imagens poéticas, aliada à polissemia e renovação semântica dos vocábulos. O mundo em
Amers e Chronique é apresentado em suas singularidades, como um espaço solene, sendo os poemas um constante louvor à humanidade e aos acontecimentos passados. O elemento aquático se faz presente na maioria dos poemas de Amers, um poema dramático estruturado na forma de uma peça teatral grega, anterior ao teatro de Epidauro. 

sábado, 13 de outubro de 2012

Skármeta e suas bodas

O escritor chileno Antonio Skármeta, mais conhecido pelo primoroso trabalho poético em O carteiro e o poeta - livro que recebeu adaptação para o cinema, em 1994 -, conjugou na obra As bodas do poeta - publicada originalmente em 1999 e lançada no Brasil no ano 2000 - o idílico e o horror, sintetizados em uma bucólica ilha do sul europeu invadida por soldados austríacos no prenúncio da Primeira Guerra Mundial.

Fonte: Livraria Curitiba
Na ilha afastada do resto do mundo, seus habitantes vivem imersos em um cotidiano rústico e repleto de depravação. Após um longo período de noivado, o homem mais rico da ilha, o austríaco Jerônimo Franck, anuncia seu casamento com a mulher mais cobiçada do povoado, a jovem Alia Emar. Contudo, o casamento é tragicamente interrompido pela invasão do exército austríaco, inconformado com o assassinato de suas tropas, enviadas anteriormente à ilha para recrutar malícios para a guerra. O assassinato das tropas malícias foi perpetrado por Reino Coppeta, um jovem violento e impulsivo que se confronta à natureza tranquila e tímida do irmão, Esteban Coppeta, o qual nutre uma paixão platônica por Alia Emar. 

Esteban encarna o romantismo e os ideais morais que faltam aos habitantes de Gema. No entanto, sua falta de ação acaba afastando-o irremediavelmente de sua amada, Alia Emar. O climax da narrativa é o casamento da jovem, cujo insucesso sintetiza a destruição mesma do povoado. 

sábado, 22 de setembro de 2012

Quem não tem virtude, acaba por atraiçoar...

Aqui no RS aprendemos, desde a mais tenra idade, a valorizar as lutas dos chamados "herois" gaúchos na Guerra dos Farrapos - o confronto mais longo da história brasileira, que perdurou durante dez anos. Os mitos que circundam essa guerra estão tão arraigados no nosso imaginário, que comemoramos as "façanhas" farrapas no dia 20 de setembro, feriado estadual. 

A Guerra dos Farrapos (1835-1845) foi encabeçada por estancieiros - grandes proprietários de gado do RS - , que estavam insatisfeitos com a não-tributação do charque oriundo dos países da região platina - incluindo o recém anexado território do Uruguai, país que até então fazia parte do Brasil. Tal fato trazia como consequência a baixa competitividade do produto brasileiro, que era muito mais caro que os provenientes do exterior. Como o império não mostrava interesse em ouvir os apelos dos estancieiros gaúchos, a rebelião foi instaurada. 

Fonte: A nova democracia

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Circo eleitoral

Parece piada, mas infelizmente não é. Ao ligarmos a televisão durante o Horário eleitoral gratuito, nos deparamos com candidatos não somente despreparados, mas também estupidamente grotescos. Vamos enumerar as espécies que habitam esse circo de horrores: os primeiros espécimes, apelam para a estética da gritaria e dos palavrões, no melhor estilo indignação de plástico. Num segundo subgrupo, estão aqueles que revelam sua origem humilde, solidária, repleta de percalços e dramas cotidianos, à la novelinha mexicana. Um terceiro grupo de candidatos, leva criancinhas simpáticas para pedir, do alto de sua inocência, votos aos eleitores para os candidatos representados. Por fim, temos os paladinos da moral e dos bons costumes, que partirão em defesa da família e dos preceitos religiosos, seguidos dos candidatos musicais: suas campanhas, repletas de jingles irritantes, são acompanhadas de sorrisos artificiais e palavras tão vazias quanto seus projetos de governo. 

Fonte: Notícias eleições