O poeta Saint-John Perse, batizado Alexis Leger, nasceu em uma ilha das Antilhas Francesas chamada Pointe-à-Pitre em 31 de maio de 1887 e produziu poemas marcados pelo hermetismo e pela inigualável produção de imagens poéticas. As inúmeras viagens proporcionadas pelo trabalho na diplomacia, marcaram sua obra poética, repleta de referências à navegação e a conhecimentos bastante específicos, como a botânica.
Dentre suas principais obras no âmbito da poesia, figuram Eloges (Elogios), de 1911; Anabase (Anabasis), de 1924; Exil (Exílio), de 1944; Amers (Amargos), de 1957; Chronique (Crônica), de 1960; Oisseaux (Pássaros), de 1963 e Vents (Ventos), no ano de 1964. No ano de 1960, o poeta foi agraciado com o Prêmio Nobel de Literatura.
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| Amers: marcas marinhas, tradução em português de Bruno Palma |
Seus poemas possuem a constante presença de elementos da natureza, bem como aspectos que remetem ao tempo mítico, primordial. Essas características são muito evidentes no livro Chronique, por exemplo. Essa obra, assim como Amers, é totalmente constituída de poemas em prosa, que predominam na poética perseana. Em Amers, a presença de vocábulos exdrúxulos, oriundos de áreas do conhecimento, tais como a navegação e a botânica, aumenta seu hermetismo. Contudo, há grande criatividade na elaboração das imagens poéticas, aliada à polissemia e renovação semântica dos vocábulos. O mundo em
Amers e Chronique é apresentado em suas singularidades, como um espaço solene, sendo os poemas um constante louvor à humanidade e aos acontecimentos passados. O elemento aquático se faz presente na maioria dos poemas de Amers, um poema dramático estruturado na forma de uma peça teatral grega, anterior ao teatro de Epidauro.



